Boa tarde pessoal! Como vocês estão? Creio que em perfeito estado, devido aos dias de descanso que temos essa semana. Hoje eu vim contar para vocês que ontem eu aproveitei a oportunidade e tirei alguns minutos da minha noite para matar uma curiosidade que há tempos vinha me atormentando. Eu estou falando do filme "Orgulho e Preconceito e Zumbis"...


     Para quem não sabe - mesmo achando bem difícil alguém não saber isso sobre mim - eu sou perdidamente apaixonada por Jane Austen, sua história e suas obras. A primeira novela que eu li foi Orgulho e Preconceito eu estava no primeiro ano de faculdade, isso foi em 2009, e é claro que a paixão me dominou sem pedir licença. Depois disso eu fui lendo e relendo algumas obras, até que uma das primeiras vezes que eu pisei dentro da Fnac no Shopping em Ribeirão Preto, eu me deparei com esta paródia de Orgulho e Preconceito. Meu primeiro impulso foi xingar muito o desiluminado que teve a audácia de fazer uma coisa dessas, mas acabei deixando pra lá aquela sensação ruim alegando que aquilo nunca faria parte da minha vida e, portanto, eu não deveria me preocupar, certo? Errado...

     O problema foi que em 2015 eu levei um tapa da realidade quando li a matéria sobre a produção do filme. Foi um ano tenso e desacreditado, prometendo - e mentindo - para mim mesma que passaria longe dos cinemas e seria grossa com quem me convidasse para assistir. Resultado: ontem, dia 24 de março de 2016, por livre e espontânea vontade venci a curiosidade, bem como meu próprio orgulho e resolvi assistir ao filme.

     Para quem não sabe, as páginas originais deste romance contam a história de uma família campestre que vive no interior da Inglaterra no final do século XVIII. Mãe de cinco filhas já crescidas e vendo a idade de seu marido chegar a galope, a Senhora Bennet passa os dias enlouquecida a procura de um bom partido para cada uma de suas filhas pois, se seu marido viesse a falecer, elas teriam o conforto de um lar para viver e tomar conta. Certo dia um jovem rapaz da alta sociedade de Londres chega ao interior a fim de passar uma temporada. Sr. Bingley é um tanto quanto desajeitado mas possui um coração enorme pronto para ser reclamado por uma dama. Sua chegada a Netherfield veio acompanhada de sua irmã e seu amigo, Sr. Darcy, sendo este um homem sério e até mesmo carrancudo que aparentava insatisfação em todos os lugares. Sendo bem informada sobre a chegada dos novos cavalheiros à região, a Sra. Bennet deu início aos planos para que suas filhas fossem devidamente apresentadas. Jane, a filha mais velha e mais bonita era sempre a mais exaltada pela mãe e, durante o primeiro baile de boas vindas aos senhores à região, ela faria de tudo para que a filha não passasse desapercebida. Porém, sem muitos esforços, Sr. Bingley se encanta por Jane praticamente à primeira vista, enquanto Sr. Darcy permanecia insatisfeito e inapto a dançar, mesmo que sua atenção tenha sido insistentemente tomada pela segunda filha da Sra. Bennet. Elizabeth, ou Lizzy, é o oposto da jovem estereotipada da época, dona de uma índole forte e uma inteligência sem igual, pode ser considerada uma heroína já que, depois de ser submetida às situações mais constrangedoras e impróprias para uma dama, conseguiu conquistar o coração duro de Fitzwilliam Darcy, mesmo sem apresentar um dote satisfatório ou classe social que chegasse aos pés de seu admirador. O ápice da história tem início com uma birra que Lizzy tem do Sr. Darcy e de suas atitudes, e tal sentimento cresce a cada página... e caberá a ele desfazer tal sentimento e vencer todo o preconceito imposto pela sociedade da época para tê-la ao seu lado...
As irmãs Bennet: Lydia, Jane, Elizabeth, Mary e Kitty

     Agora, onde é que os zumbis se encaixam em uma história tão linda como essa, meu Deus? Pois vamos às explicações.

     A época em que se passa o filme é póstuma à um período de guerra que liquidou grande parte da população, transformando-a em um exército de mortos vivos. Com intuito de salvar o restante dos ingleses, foi ordenada a construção de um muro que isolasse as principais cidades da Inglaterra dos povos que haviam sido tomados por seres altamente contaminados comedores de cérebros. Sr. Darcy é então um coronel especializado em detectar recém infectados pela peste e a família Bennet não é apenas uma família do campo. Sim, a Sra. Bennet ainda está enlouquecida na busca de homens honrados para entregar suas filhas, mas estas não foram preparadas uma vida toda apenas com dotes sensíveis e femininos como o bordado, a pintura e o piano. As cinco irmãs Bennet foram criadas para serem guerreiras, donas de suas próprias espadas e armas de fogo, capazes de se defenderem sozinhas de qualquer perigo.


     O heroísmo de Lizzy Bennet é levado ao pé da letra e, ironicamente, a personagem principal de Orgulho e Preconceito acaba que realizando os sonhos de Catherine Morland, de "A Abadia de Northanger", visto que esta era uma garota sem grandes talentos, mas que sonhava em viver e ser uma heroína tal como as que viviam nas páginas dos livros que lera a vida toda. Foi impossível - e eu nem tentei - bloquear esses pensamentos, misturando as leituras de Jane como se fosse tudo muito simples e correto. E por que não?
     As atitudes heroicas de Lizzy que conquistaram Sr. Darcy na história original - a inteligência, a petulância e o caráter firme e nada aparentemente sensível - foram substituídos pelas habilidades com espadas e golpes de lutas marciais neste enredo, o que inacreditavelmente eu gostei... e achei também que a atriz soube interpretar muito bem o papel, principalmente nas feições e nas atitudes determinadas e orgulhosas. Pontos para Lily James... lembram dela naquele vestido azul maravilhoso na pele de Cinderela?


      Enquanto isso, o homem que faz o coração de todas as mulheres enlouquecer na história original passa a ser um coronel rabugento que tem a função de matar os zumbis, sem dó nem piedade. Obcecado por aniquilar o país desta raça abominável e contaminada, Sr. Darcy viaja para vários vilarejos em busca de novos focos de contaminação e, pelo visto, não tem muito tempo para flertar com as delicadas damas da sociedade. No entanto, o humor (ou mau humor) e as habilidades de Elizabeth o chamaram a atenção.

     No início do filme, Elizabeth diz que nunca abriria mão de sua espada por um anel de noivado, afinal o homem certo não exigiria isto dela. E como se completasse seus maiores anseios, Sr. Darcy se encanta justamente por seu talento e sua arte de guerrear e ser persistente. Mais uma coisa que eu gostei muito no filme.
   O ator que interpreta o papel de Fitzwilliam Darcy não me agradou muito não. Nem tanto pela aparência, mas pela voz estridente e irritante. Esperava uma voz mais acolhedora e grave, que entrasse pelos meus ouvidos e fizesse meu coração dançar, a final ele é o Sr. Darcy! Mas não, a voz dele é insuportável e pela primeira vez eu desejei ter assistido dublado. Perdão, Sam Riley, mas acho que você deveria voltar para os filmes de ação...


     Agora, um ator que merece aplausos em pé é Douglas Booth. Nem tanto pela atuação ao interpretar o personagem de Sr. Bingley, mas pela beleza. Neste filme achei que a Jane foi mais sortuda que Elizabeth... as fotos abaixo não me deixam mentir.

   
    Os zumbis nós podemos muito bem pular, não é mesmo? Eu nunca gostei dessa espécie de bicho de ficção, e vou continuar odiando para todo sempre. Então vou colocar algumas imagens meramente ilustrativas mas dispenso comentários. Odeio. Odeio e... enfim, odeio.



     Para finalizar eu gostaria de fazer uma comparação com a última adaptação cinematográfica de Orgulho e Preconceito, de 2006. O momento em que o Sr. Darcy pede a mão de Lizzy em casamento pela primeira vez não é fiel ao que está descrito no livro de Jane Austen. Toda aquela linda cena da chuva em que Darcy corre atrás de Lizzy e faz nossos corações surtarem é na realidade uma adaptação da história original, enquanto que, neste filme novo repleto de zumbis, o roteiro seguiu quase que perfeitamente o momento e o local da declaração de amor mais ardentemente romântica da literatura clássica, e isso fez com que eu ficasse realmente contente, já que em tantos outros momentos as cenas foram reconstruídas devido a inserção dos babacas contaminados na história. Eu realmente gostei desde momento, mesmo com a pitada de ação que envolveu os personagens... valeu a pena, tanto quanto o final, que traz os últimos capítulos de um jeito que o outro filme não mostrou... afinal tudo acaba em casamento, né?

     Concluindo, eu vou passar por cima do meu orgulho e também do meu preconceito e dizer que sim, eu gostei da adaptação. Senti falta de algumas coisas, mas seria muito detalhista e prolongaria ainda mais o nosso papo aqui... mas no geral eu gostei. Gostei de ver Lizzy lutando de verdade, sendo guerreira, bem como suas irmãs, já que aquela era uma época em que a mulher não tinha voz nem vez. Elas mostraram que as mulheres não precisavam ser apenas itens de decoração, delicadas e sensíveis... só aí já valeu a pena.

     Portanto, eu recomendo sim! Mas quero saber a opinião de vocês... quem ai já assistiu?? O que acharam?? Deixem nos comentários... beijo beijo e até a próxima!


     Oh meu bom Deus! Estou tremendo só de pensar em escrever essa resenha. E eu falo isso por que nada do que eu escrever aqui vai ser suficiente pra demonstrar nem um terço da efusão de sentimentos que eu tive. Primeiro que uma história relacionada à vida da minha escritora preferida não poderia resultar em menos do que lágrimas. De alegria, de tristeza, de compaixão... e também pelo fato de que se ao menos metade desses fatos realmente aconteceram, meu coração se consola, por que mesmo em meio a tantas dificuldades ela foi amada verdadeira e profundamente... e é o mínimo que ela merecia!



“Jane diz, nas primeiras páginas deste livro de memórias, que está escrevendo para “...ter algum registro do que aconteceu, para evitar que a lembrança desvaneça nos recônditos da minha mente, e dali desapareça para sempre da história...”

     Certa vez, durante uma importante reforma em uma das casas pertencentes à Jane Austen, em Chawton, Hampshire, na Inglaterra, um dos operários descobriu um baú escondido no telhado do sótão, que para a surpresa de todos, estava repleto de manuscritos antigos e um anel antigo trabalhado em ouro e rubi. Os arquivos, que na verdade eu prefiro chamar de relíquias, eram documentos e fatos escritos ao final do século XVIII e início do XIX e foram declarados autênticos, de autoria da própria escritora. Assim, encarregada de contar para o mundo toda aquela riqueza da melhor maneira possível, a Dra. Mary I. Jesse, Ph. D em literatura inglesa pela universidade de Oxford e também presidente da Fundação Literária Jane Austen, tem a missão de estudar os manuscritos, que foram escritos de maneira coloquial e carregados de interjeições, representando verdadeiramente os sentimentos de Jane e de todos que viviam com ela, até seus últimos dias.  



“Não é concebível que uma mente ativa e um olhar e ouvido atento, combinados a uma imaginação vívida, possam produzir uma obra literária de algum mérito e deleite, que pode, por sua vez, evocar sentimentos e sensações que se assemelham à própria vida?”

     Então, nas páginas de todo o livro, temos um relato preciso dos dias da vida de Jane que compreendem o intervalo entre os anos de 1800, próximo ao seu 25º aniversário, até o ano de 1817. Seu foco principal abrange uma coletânea de histórias meticulosamente alteradas e sucessivas sobre um cavalheiro que Jane conheceu nesta época, se apaixonou profundamente e protegeu com toda sua alma a pouca privacidade que tiveram, devido às circunstâncias em que viviam.



“...como alguém pode esquecer o que se tornou parte de sua própria alma?”

     Em suma, a vida de Jane não foi nada fácil. Ela sempre teve uma paixão pela escrita, principalmente de cartas. Também tentou escrever sobre o amor, mas como escrever sobre algo que não era totalmente conhecido por ela? Um amor juvenil ou apenas um flerte não seria suficiente. Jane precisou viver o amor, sentir na pele... e então seus sentimentos ganhariam vida em pena e tinta para escrever os livros que até hoje encantam e fascinam tantas pessoas.

     Suas memórias trouxeram as aflições de uma mulher e não mais de uma jovem (como demonstrado em Amor e Inocência), que tiveram início quando seus pais resolveram abandonar seu lar em Steventon e mudar para Bath. Já tendo que suportar a falta de paz daquela cidade, Jane teve ainda que ser forte com o adoecimento e morte de seu pai, que a colocou junto com sua mãe e sua irmã Cassandra em uma situação de completa miséria, sem uma casa pra chamar de lar. Por dois anos elas viveram dependendo de acolhimento e caridade na casa de parentes, irmãos e cunhadas, e o mais próximo que Jane chegou de escrever foi enquanto contava histórias para seus sobrinhos.


" - Você tem um dom, Jane. Não se esqueça disso."

     Confesso que estou me segurando aqui para não contar, mas é que essa história merece ser lida e relida inúmeras vezes!! E eu preciso deixar um pouquinho de curiosidade para despertar a imaginação de vocês...

     Acho que já mostrei que a vida dessa mulher não foi fácil, mas preciso ressaltar que ela foi muito querida por sua família, principalmente por seu irmão Henry. E por falar nele, é durante um passeio que Henry convence Jane a fazer até Lyme que ela simplesmente escorrega em seu possível “amor de uma vida inteira”... quem é ele? Tudo bem eu conto pra vocês!

     Este é o Sr. Ashford, Frederick Ashford...  herdeiro das terras de Pembroke Hall em Derbyshire, ao norte da Inglaterra. Um homem de traços fortes, viril, que esbanjava honestidade e sensibilidade. Um homem que talvez desse valor ao amor em sua legítima definição, mesmo ela sendo tão abstrata. Se eu já me apaixonei por ele em 5 minutos, quem sou eu para julgar os sentimentos de Jane?? Agora, como essa história se desenrola, eu vou deixar pra vocês descobrirem sozinhos...


" - A escolha é tudo que temos, mamãe - afirmei, enfática - Se algum dia eu me casar, será por amor. Um amor profundo, verdadeiro e apaixonado, baseado em respeito, estima, amizade e uma convergência de mentes."

     Já nas minhas considerações finais, preciso comentar sobre os momentos que eu mais amei, e é claro que a grande maioria deles está relacionada com as atitudes de Jane, seu silêncio quando necessário, sua sensibilidade, sua paixão pela musica, pela escrita e também pela natureza, sua honestidade e fidelidade à família e até seus momentos de ironia, tão presentes em suas obras. E finalmente falando sobre a história da construção de suas novelas... ai Jane! Meu coração chega a explodir ao ver tanto de sua própria vida em suas páginas imortalizadas.
     
     Jane e Cassandra mostram inúmeros traços da personalidade de Marianne e Elinor de Razão e Sensibilidade... assim como a conduta e comportamento de alguns clérigos foram o suficiente para construir um Mr. Collins em sua total chatice de ser, me fazendo rir e chorar ao mesmo tempo. Bem como alguns lugares do tipo... Pembroke que muito remete à Pem... berly... tanto em nome quanto em imensidão e riqueza. Isso foi a segunda coisa que eu mais gostei a história. E pra finalizar, Chawton House. O que dizer dessa casa ainda mais quando eu já estive lá? Sabendo que foi naquela mesa que Jane voltou a escrever depois de tanto tempo... e que muitas histórias foram contadas, criadas e reinventadas... simplesmente não tenho palavras, só amor! (Quem quiser saber mais sobre minha visita à Chawton House e o Jane Austen’s House Museum, clique aqui)  


"Com a mente ainda se recuperando da desventura, me virei para fitar meu salvador e me percebi olhando para o par de olhos azuis profundos mais vívidos e inteligentes que eu já havia visto."



" - Jane não quis ser desrespeitosa. Acho que ela estava escrevendo mentalmente outra vez."

     Mais do que recomendado esse livro... e eu já estou arrumando lugar na minha lista de releituras pra encaixá-lo, por que vale a pena!! Ahh... uma coisa muito importante! Preciso destacar que este livro trata-se de uma história de ficção com traços biográficos de Jane. Sua história existe, mas traz muitas lacunas, e a autora soube preenchê-las de forma esplêndida com sua imaginação ativa e iluminada... mas, como diz o próprio sobrinho de Jane, “... se eu acreditar na sua história como a contou, ela será tão boa como se fosse de verdade?”... meu coração acredita que sim!

...o restante, fica para a imaginação!



As Memórias Perdidas de Jane Austen
Syrie James
Editora Galera Record – 2013
320 páginas
ISBN: 978-85-01-08861-1
Por Izabela Elias


          Hoje eu não vim postar resenhas, nem comentários de filme. Hoje eu vim mostrar mais um pouquinho do imenso amor que eu tenho por essa escritora incrível que completa 240 anos e que transbordou amor em todas as suas histórias, até o último momento de sua vida. Quem ai quer um pedacinho de bolo??

“Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente. Coisa que talvez surpreenda muito a você, pois os seus sentimentos são tão guardados que parecem não existir realmente.” 

            



            Jane Austen nasceu no dia 16 de dezembro de 1775 em Steventon, Hampshire, na Inglaterra. Por volta do ano 1788, Jane já havia vivenciado muitas histórias que a fariam ter uma bagagem imensa para suas próprias novelas. Neste mesmo ano, foram escritas algumas paródias da literatura da época que mais tarde iriam compor a coletânea Juvenilia, carregada de humor e divertimento para toda a família de Jane. Em seguida, de 1795 a 99, os primeiros esboços de algumas das novelas mais conhecidas em todo mundo foram traçados e ‘Razão e Sensibilidade’, ‘Orgulho e Preconceito’ e ‘A Abadia de Northanger’ ganharam vida. Nesse tempo, seu pai George tentou publicar Orgulho e Preconceito, porém não obteve sucesso. Apenas por volta de 1810 que Jane conseguiu publicar Razão e Sensibilidade, porém de forma anônima com a descrição ‘By a Lady’ em sua contracapa.

“Não é o tempo e nem a oportunidade de determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras.” 


          Em janeiro de 1813 veio a publicação de Orgulho e Preconceito também, e desde então Jane começa a trabalhar com muito mais dedicação às suas histórias. Mansfield Park e Emma vieram como lançamento em 1814 e 15, juntamente com as novas edições das primeiras novelas, e o sucesso de Jane estava apenas começando. Com o apoio integral de seu irmão Henry, Jane conseguiu mostrar para o mundo que ela era a verdadeira dona de todas aquelas histórias que há alguns anos já encantava muitas pessoas. Em dezembro de 1815 em Chawton Vilage, Jane publica Emma e começa a finalizar os últimos retoques em Persuasão, porém cerca de um ano depois a escritora começa a sentir-se mal e se muda para Winchester para receber tratamento médico.


E por falar em Chawton Vilage, eu tive a imensa oportunidade de conhecer um pouco mais desse lugar mágico quando eu estive na Inglaterra. A vila fica em Alton, Hampshire, cerca de 1h20 saindo da plataforma de Waterloo em Londres. Eu estava em uma viagem “mãe e filha” com a minha mãe, realizando cada sonho possível e impossível que já tive na vida (com o tempo vou contando pra vocês mais desses momentos) e foi ai que fomos parar nesse lugar mágico.


“Ela é tolerável, mas não bela o bastante para me tentar. Não estou com ânimo no momento para consolar jovens rejeitadas por outros homens”.



A manhã do dia 28 de setembro do ano passado foi bem agitada. Pegamos o metro de onde estávamos hospedadas direto para Waterloo e de lá, para Alton. Fizemos questão de não desgrudar o olho de cada pedacinho da paisagem, fazendo aquele esforço pra que as cenas fossem fixadas de modo permanente na nossa memória, e hoje tudo que eu sinto é saudade e tristeza por não lembrar tão detalhadamente de tudo que vivemos. Mas deixando esse sentimento de lado, chegamos a Alton! Que emocionante! Realizando mais um sonho que era andar pela cidade do interior de algum país desconhecido. Teríamos que pegar um taxi para chegarmos até nosso destino mágico final, e logo que viramos a esquina eu fui invadida por aquele aperto no peito e vontade de chorar que eu só sentia quando lia algum romance. E naquele momento eu estava praticamente vivendo um! Onde estava Mr. Darcy??

(Imagem da internet)

Conhecer um dos lugares onde a Jane viveu foi muito mais do que um simples sonho realizado e eu sei que nada do que eu tentar falar aqui vai chegar perto do que eu senti ao pisar naquela casa. O cheiro de madeira e lavanda, de coisa antiga também... de livros clássicos (eu me recuso a dizer que eram velhos). A disposição dos móveis, a mesa onde Jane escreveu Emma, sua cama com dossel de princesa, suas vestes... seu vestido de noiva nunca usado. Cada pedacinho tinha amor. Não só pelo fato de ter sido da Jane, pois eu sei que essa não foi uma época de muitas alegrias para ela, mas porque existiam pessoas que cuidavam do que restou e com carinho eternizaram seus momentos ali vividos.

(árvore genealógica)
 





(A cozinha)


(Recados deixados para Jane)


(Primeira edição de Mansfield Park - Manuscrito)

(Esta foto até hoje me faz chorar. Nessa mesa muitas palavras foram escritas por Jane)

(Quarto da Jane) 



 (Cheiro de Lavanda)




Eu poderia finalizar esse post continuando a história a Jane (essa era a proposta inicial), mas não quero falar sobre sua vida amorosa um tanto quanto inusitada e finalizar com suas últimas palavras em seu leito de morte, pelo menos não hoje e não agora. Para mim ela ainda vive e seus livros estão ai para provar isso. E por que falar do fim se podemos comemorar o dia em que ela vive??

"Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e a amo ardentemente."

Bom, eu vou ficando por aqui, acho que ja me emocionei demasiadamente haha... Não preciso nem dizer que eu recomendo todas as leituras né??  Espero que tenham gostado da matéria, das fotos, e que o fato de ter realizado esse sonho meu faça com que vocês vão atras de realizar os seus também. Vale a pena!! Ah, essa história não acabou ainda!! Qualquer dia eu volto para contar mais um pouquinho sobre essa viagem inesquecível!!

Até mais pessoal, e Feliz Aniversário Jane Austen 


     Quem disse que não existe amor à primeira vista, precisa urgentemente rever seus conceitos. E falo isso justamente por ter me apaixonado e lutado em vão contra esse sentimento. Sempre declarei meu imenso amor pela escritora inglesa Jane Austen e pela maestria com que ela escreveu suas novelas. Ando por ai praticamente obrigando meus amigos a ler nem que seja um romance da autora, mas quando me indicaram os livros da Carina Rissi, justamente pela grande referencia que a autora faz à Jane, quem acabou “enrolando” fui eu. Agora me digam... Por quê? Pra que adiar o inevitável?

"Eu não sabia explicar por que gostava tanto daquela história, mas era incrível poder me perder em séculos passados, costumes tão diferentes, roupas tão lindas, paisagens bucólicas e tranquilas, o amor sendo posto à prova pela ideia retrógrada de que pobres e ricos não se misturavam, o cavalheirismo, a delicadeza do primeiro amor... Glicose da boa!"




     Ao final do mês de outubro, descobri que a autora faria uma tarde de autógrafos de seu novo lançamento na minha cidade e finalmente eu teria mais uma chance de ter meu caminho cruzado por suas histórias. Eu digo isso porque eu moro no interior e as chances de um acontecimento desses são reduzidas a pó perto das grandes cidades. Então é claro que eu não poderia deixar de aproveitar o momento. Fui ao evento, conheci a autora, que é um doce de pessoa, muito atenciosa e, em um dado momento eu a agradeci (não me perguntem de onde veio essa coragem toda) por trazer o encanto de Jane Austen pra literatura brasileira. Afinal, as jovens de hoje precisavam conhecê-la! E se eu me lembro bem, sua resposta foi: “Obrigada, não sei se eu me sinto mais feliz ouvindo alguém dizer que amou a autora depois que leu meus livros, ou se os leu por amar Jane Austen”.



     Fiquei com esse pensamento na cabeça por alguns dias e como se ligassem um interruptor em mim, eu simplesmente “abandonei” (por enquanto) o livro que estava lendo e devorei as páginas do primeiro volume da série... agora estou aqui pra contar um pouco da história de Perdida pra vocês.

"Era tão surreal! Eu tinha a impressão de que, a qualquer momento, o senhor Darcy em pessoa sairia de alguma daquelas portas de madeira acompanhando Lizzy Bennet."



     A vida de Sofia é uma verdadeira “bagunça organizada”. É... igualzinha à minha! Uma mulher independente, que trabalha o dia todo aguentando as reclamações de seu chefe insuportável, se esforçando ao máximo para cumprir todos os seus afazeres e ainda sobreviver e voltar pra casa. E por falar em casa, Sofia mora em um minúsculo apartamento que vive de pernas para o ar, mas é nele que se sente segura ao fim do dia. Há 5 anos ela perdeu seus pais em um trágico acidente e desde então sua família tem sido Nina, sua melhor amiga, que vive tentando persuadi-la de várias maneiras pra que lhe faça companhia em baladas no final de semana. A maioria das vezes Sofia não aceita o convite e prefere ficar em casa perdida em seu livro preferido, Orgulho e Preconceito, que é o único tipo de romance aceitável em sua vida, e quando decide sair, nunca consegue se encaixar em lugar nenhum, ou então a coisa foge do controle, como o que aconteceu desta ultima vez, quando acabou bebendo exageradamente e perdeu seu celular. No dia seguinte a esse acontecimento, Sofia sai para comprar um novo aparelho. Tudo estava tão silencioso, tão deserto e ao chegar à loja de telefonia, uma senhora a atende com um sorriso generoso e oferece a ela um celular exatamente com tudo o que ela precisa. Mesmo um pouco desconfiada da situação, Sofia finaliza a compra e quanto tenta ligar o aparelho, nada acontece. Decidida a tirar satisfações com a vendedora “boazinha”, ela da meia volta e parte em direção à loja, porém um intenso clarão vindo do aparelho a cega e a faz tropeçar em uma pedra no meio do caminho. Sem entender nada e com a visão comprometida pela luz forte, Sofia olha ao seu redor, vê que não estava mais em sua cidade e sim no meio de um campo e logo logo percebe que está não apenas confusa, mas totalmente perdida em pleno século XIX.



     Em meio a tanta confusão, Sofia é acolhida na casa da família Clarke e seu principal e desesperado objetivo é descobrir um modo de voltar pra casa. Quem acolhe e ajuda a garota é Ian Clarke, um rapaz de extrema educação, elegância e uma beleza sem igual, e que não medirá esforços para ajudá-la a desvendar os possíveis mistérios que a trouxe até suas terras. Mas evidentemente, o coração de Sofia tinha outros planos para ela e, no meio de tanto desespero para voltar pra casa, ela descobre que ali mesmo onde estava, independente de todos os atrasos tecnológicos, ela tinha um verdadeiro lar, uma verdadeira família.

"Sim. Sofia, vou fazê-la entender o que reluta tanto em aceitar."



     O que é essa história? Eu mesma respondo: era tudo que eu sempre quis pra minha vida. Confesso que nunca havia me identificado de forma tão intensa com um personagem igual me vi em Sofia. Foi assustador! Eu sempre disse que não pertencia a essa época e que eu queria ter vivido nos livros de Jane... em Pemberly, em Bath, em Hampshire... mas confesso que também iria me incomodar terrivelmente com a casinha e os pés de alface!! Hahaha... é desesperador!!

     Fiquei muito emocionada, em vários momentos, principalmente ao final da jornada de Sofia e também na passagem do quarto que permaneceu intocado por dois séculos (quem leu sabe de que eu estou falando). Chorei sem pudor. E realmente acho que o destino às vezes engana a gente, e coloca nossa alma gêmea um pouquinho longe do nosso alcance... em outra cidade, país, ou em outro século. Mas outras vezes, esse mesmo destino está em nossas mãos e, como disse Ian em uma das páginas... “Contos de fadas podem se tornar realidade, Sofia. Basta que a princesa não lute contra a própria felicidade”.


     Alguma dúvida de que eu já estou lendo desesperadamente o segundo livro, Encontrada?? Pois é... Bom pessoal, espero que tenham gostado da resenha e dos comentários, e prometo que assim que eu finalizar o segundo livro eu venho contar pra vocês o que anda passando pela cabeça da Sofia e do Ian... e o que eu venho achando desse amor todo!!

"Pertenço a este lugar - coloquei a mão sobre seu coração, que batia tão rápido quanto o meu. - Como pode ser errado?"


Beijo Beijo... e até a próxima!!




Perdida
Carina Rissi
Editora Verus – 2013
364 páginas
ISBN: 978-85-7686-244-4

Izabela Elias